quarta-feira, 20 de junho de 2012

Relação entre Drummond e meu pai


Hoje eu tive noção de quanto a poesia é importante pra mim. Depois de uns dias longe de casa pai pergunta como foi a viagem e o que eu fiz por lá. Contei-o e disse que comprei alguns livros.
Ele brincando diz:
- Deixa eu ver se gosto de algum pra mim.
Brincando digo também:
- Deixo não, são meus.
Fui buscá-los, entre eles tinha o de Drummond. Pai o pegou e começou a ler em voz alta. Leu alguns versos e os desdenhou, fez pouco da cara de Drummond e disse que ele era bobo. Discordei e disse que não é porque ele não entendia poesia que significa que ela não quer dizer nada. Continuou lendo e fazendo pouco. Veio-me a mente o quanto ela é importante pra mim. De um instante só me revolto e digo que se ele não parasse eu ia pegar um livro OSHO dele e faria pouco também. Ele como criança que faz pirraça, continua e começa a rir de Drummond. Esquenta-me a cabeça e corro em sua estante e pego um livro OSHO, digo em pranto que se ele não parasse eu iria riscá-lo todo. Ele e minha mãe me olham espantados, pai para de ler, eu ainda em pranto explico o que queria dizer a poesia que ele tinha acabado de ler e tanto desdenhado. Pai ainda espantado para de ler e silencia. Tomo o livro de suas mãos.
Mexe com a escrita, mexe. Shauhsu...
Confesso que depois de um tempo até eu me surpreendi com minha reação.

Nosso tempo - VIII
O poeta
declina de toda a responsabilidade
na marcha do mundo capitalista
e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas
promete ajudar a destruí-lo
como uma pedreira, uma floresta,
um verme.
Carlos Drummond de Andrade

Nenhum comentário:

Postar um comentário