A questão mais grave não é a solidão ou a falta. A questão são os motivos, as promessas não cumpridas, a invenção, a mentira, a infidelidade, a palavra da boca pra fora, o desrespeito, o desamor, o “para sempre” que termina, o engano. A questão mais grave não é o outro te decepcionar, a questão mais grave é acordar e saber que não soube escolher, a incapacidade de eleger o melhor pra si. Sempre vi isso nos términos, a ferida fica exposta, absurdamente exposta. Porque tu te sentes incapaz. Isso porque a dor que dói é dor na gente, e pensando bem, culpa nossa também. Ou melhor, quase exclusivamente culpa nossa. É por isso que incomoda tanto, é por isso que o semblante fica caído, se emagrece ou se engorda, e fica mais difícil de dormir ou mesmo acordar. Términos são incapacidades de manter. É a crença, vontade e cuidado que se dizem terminar. É não ter porque dizer como foi o dia, é ficar desconfiado e egoísta. A questão mais grave não é não ter mais o colo, a questão mais grave é ver que não és dotado de superpoderes e que estás constantemente vulnerável às perdas. Desculpe-me te dizer assim, mas a verdade é que a questão mais grave é tendermos a achar que a felicidade está no outro e não em si. Ninguém consegue fazer ninguém feliz se não for primeiro feliz sozinho.
Ps. Não, não terminei, nem pretendo.
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