Eulali é boba, boba e tranquila. Contou-me com maior vigor
que tinha o visto. E não era uma vista comum como acontecia, parecia que ele a
procurava. Sintomas de falta e saudade. Ela se desconcentrou, fingiu como
sempre que não era com ela e continuou dizendo a roda:
– Desculpe-me!
Eulali continua o que fazia, mas agora com sorriso nos
olhos. Sorriso bonito de ver. Confesso que se fosse comigo não ficaria tão
contente como eu a vi por um simples acontecido que nem dizia muita coisa. Ela era
pensante demais, pensante ao ponto de fantasiar em segundos vitórias e
derrotas. Acordes e sorriso. Acordes e sorrisos. Pensava eu com meus botões.
“Coisa bonita de ver”. De repente Eulali começa a falar:
- Sabe quando a gente fica feliz quase sem motivo, que só a
companhia por alguns segundos já te motiva? Creio que estou assim. O que é isso
que me acontece?
Vendo seu ar contente e abobalhado pestanejei a responder, mas
desta vez quem sussurrou não foi ela, foi eu:
- Amor?
Vi ela ficar vermelho tomate. Respondendo-me:
- Será?
Ao mesmo tempo que Eulali lida de forma tão íntima com a dor
ela é meio difícil se declarar amor inconsequente. Mas lá no fundo eu sei que
é. Desde então não lhe vi mais murcha, creio que tenha durado horas, ou dias.
Nenhum comentário:
Postar um comentário