Sangrentas cruas expostas
Vi-me noite passada as expondo.
Feridas expostas e cutucadas sem dó
Diria crueldade, talvez.
Senti-me outra vez
Outra vez de prantos e cacos
Dos quais não curam ou demoram
Demoram eternidade.
E por mais que eu tente omitir
Fingir, ser ideal, não é.
Feridas expostas
Estão malditas quentes e vivas.
Cutucaram-nas
Cutucaram-nas com todo fervor.
Suportarei eu?
Suportarei!
Vi-me perguntando para a fé
Há outro tempo?
Outra fase?
Solução?
Valei-me Deus
Valei-me Deus se dependesse de mim.
Feridas expostas e cutucadas que não são nem minhas
Ou são tão minhas talvez?
Talvez seja. Não, são!
O vínculo é grande e forte
Sim, são minhas!
O pior é o fardo de inutilidade
Da fraqueza de um ser que não sabe o que fazer com a fé
Dai-me, dei-me a solução
Ou se não a cura
Eu creio, eu creio
Que finde a dor.
Que finde por si só
Ou se chamar melhor: Milagre.
Eu vi e senti sangue rasgado e escorrido no chão
E era, era de mim.
Tive que intervir se não seria pior
Sangue de dois corpos seria
E não de um dedo só.
Dois vínculos tortos e frios
Quase frios, diria eu
Eu os amo, os amo com todo o fulgor.
Partidas, mentiras, razão
Instigam suas dores e fardos
De uma dor que dura décadas.
Deus, dai-nos a cura.
02-07-12
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