Estive lendo escritos por aí. Poesias, prosas, livros, blogs, papéis velhos jogados no chão. Tem gente dizendo que eu poderia ser escritora. Venho então responder. Escritos meus, sim, conto a eles. Vocês são pedaços de mim, sem vocês agora seria assim?
Confesso eu, essa coisa de escrever tem me ajudado bastante, lá se vão alguns anos. Peguei meus textos velhos, e como eu mudei. Sim, quase tudo. Já fui infantil, prematura, anti-social, depressiva, romântica, conselheira, amorosa, o que me leva a pensar. O que eu serei agora? Talvez essa seja a magia dos escritos, hora eu leio-os é uma coisa, hora eu leio-os é outra coisa. É extremamente surpreendente quando me pego pra ler escritos antigos, é como se eu me visse com olhos de alguém, de um outro sem ser eu. E fico eu alí por alguns segundos me analisando e tentando me entender. É absurdamente apavorante descobrir que tu não conheces quem vive 24h contigo. Sim, sim, falo de mim. Como se eu não fosse eu. Como se eu me olhasse com outros olhos. E percebe que muda. Não que os pensamentos tenham mudado radicalmente, mas é que quando me leio de antigos, é como me entender sem aquele fulgor da hora da escrita. Costumo pensar que talvez se eu não escrevesse eu já estaria louca de vez.
Como me faz bem. Como me faz bem. E sobre isso de ser escritora, quem define uma pessoa ser escritora ou não? Nunca entendi. Se qualquer pessoa escreve qualquer coisa, seja ela inútil à utilidade, só de praticar a escrita já não se faz um escritor? Escrita profissional? Então é isso que queres dizer? Não há pretensão. Eu escrevo, escrevo por si só, e só. Escrevo para me fazer companhia, para duvidar, para não esquecer, para entender, para simplificar o sorriso ou o pranto, para eternizar. Acostumei-me.
Outrora pensei. Deixaria eu de escrever um dia então? Se o ser humano muda a cada segundo que vive e assim mais uma coisa nasce para entender então. Creio que não.
É isso. Por fim venho comentar o apavorante crescimento de visitas no blog, confesso que isso me dar uma espécie de medo que vem das costas ao estômago, meio que mistura de ânsia de vômito com calafrio e dor. Que se aquiete.
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