terça-feira, 11 de outubro de 2011

Despedida [prosa]

Eu não lido muito bem com ela, pra falar a verdade acho que ninguém lida. Coisas que acontecem ao me redor me deixam triste. Perto da juventude que lida com a carne, me sinto uma total estranha. Tô cansada, tô cansada de ouvir choros prematuros de fim de relacionamentos. Ouça, se não ama pra que insistir? Tenho prestado atenção nos jovens e vejo muita gente reclamando, que ele não prestava, que ela não prestava e que acabou por isso e aquilo.
Às vezes eu paro pra pensar. Por que tanta instigação sexual na sociedade? Pessoas competem número de beijos ou transas achando uma completa normalidade. Sinceramente eu não consigo entender.
Perguntei a uma moça?
- Tá namorando com ele é?
- Não, é só um momento! Ela disse.
Depois de beijos e declarações mentirosas um cruza com o outro como se não tivesse acontecido nada.
- Como assim?
No inicio de minha juventude eu era considerada a careta.
Alguém fala:
- Ah, tu não fica não Jamille? Vamos aproveitar a vida!
- Não. [silêncio]
Seja forte, seja forte. Eu não falo de cintos de castidades, eu falo sobre amor do peito. Aquele que te dar sentido a verdadeira vida, e não a essa ai que dizem pra eu aproveitar.
[...]
Tenho uma amiga que sempre fala:
- Ah Jamille, eu não sei como tu consegue esquecer ele tão rápido.
Assim como qualquer mortal eu tenho minhas vontades e romances, não é que eu esqueça rápido, é que eu não me entrego de cara. De que vale um momento cru, um sentimento frio sem verdade? Sei, sei que dizem que a carne é fraca e por isso mesmo vença, pois és mais forte que ela!
Sabe. Eu venho de um histórico familiar não muito pacífico. De todos esses anos de tribulações, aprendi que de nada vale uma relação se o que prevalece nela não é o amor.
Eu já fui apresentada a separação por 8 vezes, e dos sentidos cada vez mais frívolos sempre o desrespeito, infidelidade e desconfiança estavam no meio. Vejo cada vez mais famílias em destroços, porque a mãe ou o pai foi embora de casa. Vejo cada vez mais jovens sofrendo por relacionamentos imaturos regados de infidelidade. Vejo cada vez mais filhos tendo que escolher a casa que vai morar. “Morarei com minha mãe, ou com meu pai?” Sinceramente eu sonho com o dia que tudo isso finde, pois eu sei que dói para todo mundo.
[...]
Não espere, não espere que o sofrimento bata em tua porta para aprenderes que o que vale não é o momento e sim a eternidade. Apesar de todas as mudanças de costumes e gerações, sonhe com o pedaço do teu “laranjo”, da tampa da tua panela, da tua metade. Pois momentos findam e só o que fica são os pedaços. Pedaços dados como imcompletos.
Assim como eu que não sei lidar com despedidas. A paciência é uma virtude que nos leva a perfeição.
Se não há verdade, melhor a solidão.
E chega de desculpas de que a carne é fraca
Perto de despedida e desgraça. Lembre-se:
És mais forte que ela!

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